quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Copom interrompe cortes e mantém Selic em 8,75% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) interrompeu uma sequência de cinco quedas consecutivas e anunciou nesta quarta-feira a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 8,75% ao ano. O valor continua como o menor da história da taxa, criada em 1999.

Desde janeiro, quando a Selic estava em 13,75% ao ano, a taxa perdeu 5 pontos percentuais. Mesmo assim, de acordo com a consultoria Uptrend, o Brasil mantém a quarta maior taxa de juros real (juros nominais descontada a inflação) do mundo. O País, com taxa real de 4,5% ao ano, tem taxa menor somente que China (7,2%), Tailândia (5,9%) e Argentina (4,7%).

"Levando em conta, por um lado, a flexibilização da política monetária implementada desde janeiro, e por outro, a margem de ociosidade dos fatores produtivos, entre outros fatores, o comitê avalia que esse patamar de taxa básica de juros é consistente com um cenário inflacionário benigno", afirmou o Copom em comunicado.

Além disso, acrescentou o colegiado do BC, o nível da Selic contribui "para assegurar a manutenção da inflação na trajetória de metas ao longo do horizonte relevante e para a recuperação não inflacionária da atividade econômica".

A decisão corrobora a opinião do mercado financeiro de que o Copom cessaria com os cortes. Desde o resultado da última reunião, em julho, analistas já previam a manutenção da taxa. Pesquisa da Reuters no final da semana passada mostrou que 26 de 27 analistas consultados já esperavam a manutenção do juro. Um economista previu corte de 0,25 ponto.

A avaliação predominante é de que a Selic seguirá em 8,75% até pelo menos meados de 2010.

Dados recentes de produção e emprego indicam retomada da atividade econômica após a forte desaceleração desencadeada pela crise financeira global.

A produção industrial cresceu mais do que o esperado pelo mercado em julho e de forma mais disseminada, com a maioria dos setores apresentando desempenho positivo na comparação com junho.

O desemprego também surpreendeu positivamente em julho, quando atingiu o menor patamar desde dezembro, de 8%.

A inflação ainda segue comportada, com as expectativas do mercado para 2008 e 2009 indicando variação abaixo do centro da meta. Mas os economistas argumentam que o BC precisa esperar que os efeitos dos estímulos fiscais do governo e dos cortes de juro já promovidos se materializem integralmente.

A última ata do Copom, divulgada no final de julho, já havia indicado a interrupção dos cortes. No documento, o BC destacou a importância de "uma postura mais cautelosa" para garantir recuperação consistente da economia nos próximos trimestres.


"A parada mostra que (os membros do Copom) acabaram o processo e vão ficar um bom tempo com a taxa nesses níveis. A expectativa de retomada forte da economia e seus eventuais impactos na inflação fazem com que eles sejam corretamente cautelosos agora", disse o economista-chefe do banco WestLB, Roberto Padovani.

"A decisão confirmou as expectativas. E o comunicado mantém o trecho de que o patamar de juros atual é consistente com um cenário inflacionário benigno, ou seja, deve contribuir para a convergência da inflação para as metas ao longo do tempo e para a recuperação da economia sem pressões de inflação. Esperamos que a taxa básica permaneça estável por um bom tempo", afirma o economista-sênior do BES Investimentos, Flávio Serrano.

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